Histerectomia: a cirurgia termina, mas a recuperação da mulher está apenas começando

Nos últimos meses tenho acompanhado um número crescente de mulheres que passaram por histerectomia. Algumas tiveram o útero removido devido a miomas, endometriose ou adenomiose. Outras passaram por histerectomia total, com retirada do útero e das trompas. Algumas sonharam em ser mães e não puderam realizar esse desejo. Outras já tiveram seus filhos. Há ainda aquelas que escolheram conscientemente não ter filhos.

Cada história é única.

Mas existe algo que muitas dessas mulheres têm em comum: a cirurgia acontece, recebem alta rapidamente, voltam para casa com um período de afastamento do trabalho e, frequentemente, precisam lidar sozinhas com a recuperação física e emocional que acompanha esse processo.

Quando falamos sobre recuperação feminina, costumamos pensar imediatamente no pós-parto. Existe uma preocupação crescente com a mulher que passou por uma cesárea ou parto vaginal. E isso é importante.

Mas e a mulher que passou por uma histerectomia?

Ela também teve seu abdômen operado. Ela também sofreu alterações nos tecidos, nas fáscias, na mobilidade corporal e na musculatura do assoalho pélvico. Ela também precisa reaprender movimentos, recuperar força, confiança e funcionalidade.

O fato de não haver um bebê nos braços não significa que não exista uma mulher precisando de cuidados.

O impacto da histerectomia no corpo

A histerectomia é uma das cirurgias ginecológicas mais realizadas no mundo. Dependendo da técnica utilizada, podem ocorrer alterações temporárias ou permanentes relacionadas à mobilidade, dor, cicatrização, função urinária, intestinal e sexual. Estudos recentes mostram que a relação entre histerectomia e disfunções do assoalho pélvico continua sendo objeto de pesquisa, reforçando a importância do acompanhamento individualizado após a cirurgia.

Além disso, mulheres submetidas à cirurgia podem apresentar dificuldades relacionadas à recuperação funcional, qualidade de vida e retorno às atividades diárias, especialmente quando ocorrem complicações ou quando o suporte durante a recuperação é insuficiente.

O assoalho pélvico também precisa de atenção

O assoalho pélvico não deixa de existir porque o útero foi retirado.

Essa musculatura continua sendo responsável pelo suporte dos órgãos pélvicos, pela continência urinária e fecal, pela função sexual e pela estabilidade do tronco.

Pesquisas demonstram que programas de treinamento da musculatura do assoalho pélvico podem trazer benefícios para a função sexual e para a recuperação funcional após a histerectomia.

Por isso, a recuperação não deve se limitar à cicatrização da pele.

É necessário observar como essa mulher respira, caminha, se movimenta, senta, levanta, carrega peso e retorna às atividades da vida diária.

O aspecto emocional também faz parte da recuperação

Meu trabalho começa quando a cirurgia termina.

Através de exercícios direcionados, trabalho a mobilidade corporal, a consciência respiratória, a recuperação da função abdominal, a reorganização postural, a mobilidade das cicatrizes, a funcionalidade do assoalho pélvico e o retorno seguro às atividades do dia a dia.

Não se trata apenas de fortalecer músculos.

Trata-se de ajudar uma mulher a recuperar a confiança no próprio corpo.

Porque a retirada de um órgão não encerra uma história.

E toda mulher merece apoio para escrever com segurança o próximo capítulo da sua vida.

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